“Entre”, vamos conversar...
Entre... Esses tempos (ou sempre) estou “entre”. Entre o poético e a seriedade; entre o real e o virtual; entre o artístico e a realidade; entre o figurativo e o abstrato; entre a tradição e a contemporaneidade. Prossigo fomentando a humanização. Ora amando (e sendo como) as palavras que são como a água e o oxigênio, amando as boas ideias e as resoluções; ora recusando as palavras “azedas” e as ideias más. Eia! No meu percurso, portanto, estão presentes a arte e as palavras e seus significados. E aqui poetando... Palavras – às vezes “engodos enfadantes”; ás vezes, prefiro mesmo o “almo silêncio falante” – . Enfim, vida! Nela (e) está o (meu) desenvolver. Mas, afinal, entre, vamos conversar.
Quem eu sou? O que é mesmo que eu quero? Ser Docente do Ensino Superior não é uma tarefa fácil, mas um desafio. Todavia, o que seria da vida se não fossem os desafios? São os desafios que movem a vida e nos conduzem (quase sempre) a um estado melhor para conosco mesmos e para com a sociedade.
Por conseguinte, ouve-se muito falar que o Ensino Superior promove e é em si a consciência política. Mas, será que isso realmente tem sido efetivado? Será que a maioria dos docentes do ensino superior estão deixando que desenvolva-se a consciência política? Será que estão permitindo a comunicação em seu contexto amplo? Será que estão realmente, permitindo avançar os saberes e a humanização? A comunicação vai além da oralidade. Mas, será que as universidades estão verdadeiramente reconhecendo e, dando abertura para que todos se manifestem com outras formas de expressão? Será que estão mesmo semeando a elevação de todos os sujeitos, sem exceção? Ou será que ainda, em pleno século XXI, continuam legitimando o saber com ênfase na oralidade e no poder de persuasão oral – quem fala, fala porque sabe; quem não fala, se fica no silêncio é porque não sabe –. Esse pensamento equivocado pode provocar destruições irreversíveis nos/dos sujeitos. Então, como será possível combater essa violência? O que é mesmo persuasão? Será que só se pode persuadir com a oralidade? É preciso repensar essa questão.
Todos os docentes, principalmente os do ensino superior precisam urgentemente fazer uma avaliação de si próprios, pois o que se espera destes é que ajam sempre com probidade em relação a si e aos outros. Sabemos, pois, que os saberes são diferentes, as formas de persuadir são diferentes, os sujeitos são diferentes. Então, será que realmente, queremos constituir sujeitos que saibam ampliar dimensões humanas, produzir novos conhecimentos, potencializar a si e ao mundo, a partir de suas diferenças, de suas especificidades, de seus “saberes fazeres”, de seus saberes interiores a si mesmo, de seu eu, de seu “silêncio”? Afinal, que tipo de sujeitos queremos deixar que estejam em formação e constituição? Apenas os “falantes”, que tem o poder de persuasão oral? Cadê a equidade social? Estar no silêncio não significa que a pessoa não sabe. Estar no silêncio, todavia, dentre outras coisas, implica que a pessoa tem a necessidade de não se “contaminar” com atitudes desumanas, o silêncio implica sempre poder voltar à nascente de si mesmo, à sua origem pura, à fonte perene de seu saber ser, a fim de gerar sempre atitudes humanizantes e que valorizem a todos os sujeitos, sem exceção.
Urge-se, pois, rever o agir docente. Urge-se criar oportunidades para que todos os docentes – os que não estão no ensino superior, os que já estão no ensino superior e os que pretendem estar como docentes no/do ensino superior –, possam atuar verdadeiramente promovendo o saber humanizante. Saber este, que permite aos sujeitos, sem exceção, transcender, expandir suas potencialidades, seja através da escrita, da oralidade, ou de qualquer outra forma de expressão. É preciso, pois, deixar que os sujeitos compreendam e interpretem e, que sejam vistos como eles querem e precisam ser vistos – valorizados por suas possibilidades de crescimento, aprendizado e desenvolvimento –.
É por estas e outras questões que há algum tempo venho me manifestando, ainda que no “silêncio”. Tenho em vista, no entanto, que cada ser humano tem em si (ou é em si) mesmo um silêncio provido de informações e de saberes que os outros desconhecem (e por isso mesmo são silêncios), mas que estão em “esfervescência” no próprio ser, prontos e/ou esperando para serem preparados, transformados em conhecimentos e desenvolvidos.
Cabe, portanto, aos docentes, sobretudo os do Ensino Superior, valorizar a vida de cada sujeito, sem exceção, permitindo a cada um refletir sobre si mesmo e sobre a realidade da qual faz parte, aperfeiçoar-se cada vez mais, autorizar-se, imbuir-se de um embasamento filosófico-político-ideológico-poético, buscar a vida em todos os seus significados, buscar sentidos para o seu viver. O desafio, portanto, que está lançado para nós enquanto docentes, está em deixar que cada sujeito revele-se a partir de seu silêncio (seu eu), de suas integibilidades, de suas formas de expressão, a fim de que cada um promova a transformação e o diálogo com o mundo. É preciso também sempre deixar que cada sujeito volte à sua nascente, e encha-se sempre da fonte que dá vida a todas às suas produções.
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